Pular para o conteúdo principal

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER: 38 mil denúncias foram registradas no primeiro semestre de 2018

A violência contra a mulher continua sendo um problema que preocupa as autoridades brasileiras. De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos, só nos primeiros seis meses deste ano, mais de 38 mil denúncias de violência contra mulheres foram registradas no disque 180.
É importante destacar que a violência pode se manifestar de várias formas. Ela pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. E pode destruir a vida de qualquer mulher. É o caso, por exemplo, de Patrícia. Em poucos meses de relacionamento, ela e o companheiro começaram a morar juntos. Ele decidiu que não queria que Patrícia trabalhasse mais, se mostrava extremamente ciumento, até que começaram as ameaças.
Depois disso, ela tomou coragem, foi até a Delegacia da Mulher e fez a denúncia. Quando voltou para casa, nenhum dos pertences dela estavam mais lá. Patrícia conta que até hoje vive apavorada, porque as ameaças ainda continuam.
"Eu tenho muito medo de encontrar ele, porque toda vez que ele vê alguém que me conhece, ele fala, 'O que é dela está guardado'. Que o dia em que ele me pegar vai me matar."
As discussões sobre o assunto se intensificaram neste mês principalmente por conta do Dia Internacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, no último domingo (25). Agora, nesta terça-feira, o governo federal lançou o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher.
As ações vão promover a colaboração entre estados e municípios com a União, com o intuito de trazer uma punição mais rigorosa contra ao agressor e uma prevenção eficaz contra a violência. É o que explica o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha.
“Ele busca um diálogo entre o poder federal, os Estados e os municípios, no sentido de criar diretrizes e de criar uma rede de proteção para tornar mais efetiva a proteção para as mulheres. É fundamental que as pessoas se conscientizem da importância desta pauta, que não há limite de tolerância para violência. Violência não pode ser tolerada em hipótese nenhuma.”
De acordo com a professora Lia Zanotta Machado, do Departamento de Antropologia da UnB, um casal discutir é comum, mas resolver os conflitos através da imposição física sobre o outro, sobre ameaças verbais, injúrias, ou sobre humilhações, é inadmissível.
"Ciúmes, as mulheres sentem, os homens sentem, mas o ciúme não é razão para violência contra a mulher. Não é razão para matar. Não se mata por amor, se mata por ódio. Se o amor já foi, cada um vai para o seu canto, se separa ou então, fica junto e recompõe as relações, mas jamais através da violência".
Se você presenciar algum caso de violência contra a mulher, basta ligar para o 180. A Secretária Nacional de Proteção para Mulheres do Ministério dos Direitos Humanos, Andreza Colatto, conta que a ligação é de graça e confidencial.
"A Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres faz um apelo a toda a sociedade, que divulgue e utilize o canal "ligue 180", que hoje é nossa principal porta de entrada de informação a respeito da violência sofrida por mulheres e também de denúncia. É um canal confidencial que funciona 7 dias por semana, 24 horas por dia e atende as mulheres brasileiras que vivem em 16 outros países. A sociedade precisa entender que ela também faz parte desse enfrentamento.”
Um vídeo lançado no último domingo (25) pelo governo federal, com a cantora Naiara Azevedo, fez com que o número de denúncias de violência contra a mulher aumentasse 16 vezes em relação à média, somente no primeiro dia.
Atualmente, a média de telefonemas para o Ligue 180 é de 350 por dia. Nesta segunda-feira (26), um dia após a divulgação do vídeo nas redes sociais, a central recebeu mais de 5,6 mil denúncias.
Com colaboração de Tainá Ferreira. Reportagem, Cintia Moreira

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Jovem de 23 anos morre após levar tiro de PM na zona leste de SP

Um tiro no peito efetuado por um agente da Polícia Militar do Estado de São Paulo tirou a vida de Rafael Aparecido Almeida de Souza, de 23 anos, na madrugada do último final de semana. O caso aconteceu por volta da meia noite do dia 4 para o dia 5 em uma travessa da avenida Aricanduva, na zona leste de São Paulo. De acordo com familiares e testemunhas, o jovem estava na frente de casa com cerca de seis pessoas. Eles conversavam e fumavam narguilé tranquilamente quando os policiais apareceram e abordaram o irmão de Rafael, que foi liberado em seguida. A vítima teria acenado para que o irmão viesse ao seu encontro e disse: “Vem pra cá”. Nesse momento, o PM teria efetuado o disparo de longe. “Os policiais não tiveram nem a capacidade de resgatar”, disse um parente do jovem que o levou até o hospital e não terá o nome divulgado nesta reportagem por questões de segurança. De acordo com a declaração de óbito, Rafael já chegou ao pronto socorro do Hospital Geral de São Mateus sem v...

Justiça absolve motorista condenado por estupro e culpa vítima por beber

A Justiça do Rio Grande do Sul absolveu, por falta de provas, um motorista de aplicativo condenado a 10 anos de prisão pelo estupro de uma passageira embriagada, em Porto Alegre. Na sentença em segunda instância,  a desembargadora relatora da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do estado culpou a vítima por ter bebido no dia . A princípio, o motorista tinha sido condenado em dezembro de 2018 com base em um laudo pericial e no relato de testemunhas. Já em segunda instância, a desembargadora Cristina Pereira Gonzales, relatora do recurso do réu, argumentou que "a ofendida admitiu o consumo de álcool naquele dia" e que "por vezes já se colocava nesse tipo de situação de risco, ou seja, de beber e depois não lembrar do que aconteceu".   “Ora se a ofendida bebeu por conta própria, dentro de seu livre arbítrio, não pode ela ser colocada na posição de vítima de abuso sexual pelo simples fato de ter bebido”, apontou a magistrada na decisão. Além de Cristina...

Homem morre e três são feridos a tiros quando usavam som automotivo em morro de Francisco Sá

Um homem de 23 anos morreu no fim da tarde deste sábado (9) depois de ser atingido por vários disparos de arma de fogo em um ponto turístico de Francisco Sá, no Norte de Minas. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima era Pablo Santiago Assis Durães e estava com outros três rapazes, com idades entre 14 e 20 anos, usando um som automotivo no Morro do Cristo da cidade. Todos foram atingidos por tiros. Segundo a PM, dois homens encapuzados que saíram de um matagal foram apontados como autores do crime. A polícia informou ao  G1  que os suspeitos de atirarem contra o grupo foram identificados e são procurados; a motivação do crime é desconhecida. Os rapazes que ficaram feridos disseram a PM desconhecerem o motivo de terem sido alvo de tiros. Nenhum deles tinha passagens nos meios policiais. Ainda de acordo com a PM, o menor de 14 anos era primo do homem assassinado e foi alvejado no ombro direito. O rapaz de 20 anos era irmão da vítima e foi baleado no dedo ...